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"Ao longo dos muitos meses do nosso trabalho de campo tivemos oportunidade de testemunhar a importância desta resposta de intervenção comunitária no terreno. Ela é um primeiro contacto com o "outro lado" para quem anda na rua, é o sítio onde um indivíduo que já vem com regularidade leva outro pela primeira vez. A unidade móvel realiza os actos técnicos próprios a um programa sócio-sanitário (...) é também o espaço de sociabilidade que se cria em seu torno, importante para quem fragmentou as relações sociais, para quem se sente distanciado das estruturas formais para toxicodependentes – ou porque já desacreditou depois de vários tratamentos falhados, ou porque nem lá vai, olhando-as como uma miragem ao longe quando a vida se estreitou nos quotidianos de que aqui já demos larga notícia."

 

In A vida do andamento: Para uma caracterização dos consumidores problemáticos de drogas em Guimarães. Fernandes e Araújo, 2010

 

Promovido pela Sol do Ave e cofinanciado pelo Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD) , o projeto IN-Ruas intervém desde 2008 no âmbito da Redução de Riscos e Minimização de Danos (RRMD) junto de pessoas com consumos problemáticos de drogas no Centro Histórico de Guimarães.
Num contexto ecossocial em que o consumo de drogas tem implicações não só ao nível da saúde dos indivíduos mas em todas as esferas da sua vida, com situações de marginalidade e exclusão social, o projeto IN-Ruas implementa no terreno, através de uma equipa de rua multidisciplinar, um trabalho de proximidade que promove, por um lado, a redução dos comportamentos de risco e, por outro lado, a aproximação aos serviços sociais e de saúde, mediante encaminhamento e acompanhamento às estruturas.

 

A unidade móvel funciona como um mediador, criando "um pacto mutuamente negociado que permite estabelecer o enlace humano, relacional, entre aqueles que perderam a capacidade de se relacionar de um modo efectivo." (Sepúlveda, Báez e Montenegro, 2008). Ela pode ser o passo inicial para uma alternativa à rua. E o passo dá-se quando, emergindo desses quotidianos em que a vida fora das drogas duras já não parece possível, se reata a possibilidade de mudar esta perspectiva. Dito doutro modo, a equipa de rua é, muito mais do que a imagem que se foi construindo na opinião pública – a "troca de seringas" – o sítio onde (re)começa a comunidade, se quisermos tomá-la no sentido etimológico da comunitas." (In Fernandes e Araújo, 2010, idem).

 

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